- A versão 1.0.0 trocou o núcleo herdado do xemu, baseado em QEMU, por um JIT FEX com o kernel do Xbox reimplementado de forma nativa.
- Nos testes, um Snapdragon 680 saiu de 2 FPS no menu do jogo para velocidade cheia, com ganho estimado perto de 600%.
- As versões 1.1, 1.2 e 1.3, todas de outubro, somaram suporte a GPUs Mali e PowerVR, rede local e Xbox Live via Insignia.
- O app é gratuito, tem licença GPL-3.0 e qualquer cobrança por ele é golpe.
O emulador hakuX passou por uma reformulação completa do núcleo e, segundo testes divulgados nesta semana, colocou jogos do Xbox clássico rodando em um celular de R$ 500 com Snapdragon 680.
O projeto é gratuito, não tem vínculo com a Microsoft e usa o FEX para traduzir o código do console.
O que mudou no núcleo do emulador
O hakuX é um fork do X1 BOX, que por sua vez deriva do xemu, o emulador de Xbox para PC. Até outubro, a versão Android carregava o mesmo núcleo do xemu, com tradução do código x86 feita pelo QEMU a cada execução. O desenvolvedor trocou essa base inteira em uma única versão.
As notas da versão 1.0.0, publicadas em 23 de outubro pelo brasileiro rfandango, descrevem a mudança em uma linha seca e direta. Vale ler com atenção, porque é ali que está quase todo o ganho relatado depois.
“Um novo núcleo substitui o do xemu, baseado em QEMU.”
Notas da versão 1.0.0 do hakuX no GitHub, em tradução própria
Na prática, três trocas aconteceram juntas, e cada uma ataca uma etapa diferente do trabalho que o celular precisa cumprir a cada quadro.
O código x86 do Xbox passou a rodar em um JIT FEX, fork do FEXCore mantido pelo próprio autor, em vez do QEMU. O kernel do console foi reescrito para funcionar nativamente. E a GPU NV2A passou a ter o push buffer, a lista de comandos que o jogo envia, decodificado direto em Vulkan.
Para quem acompanha emulação no Android, a diferença aparece na conta de CPU. Quando a tradução de x86 para ARM fica mais leve, sobra processamento para o jogo, e aparelho antigo entra na lista.
O teste no Snapdragon 680
O celular usado no vídeo é um modelo de entrada, com Snapdragon 680, cerca de R$ 500. O jogo escolhido foi Black, um shooter de 2006 que tem port nativo para Android e serve de régua de comparação.

Antes da reformulação, o menu rodava a 2 FPS e o título travava depois da cena de abertura. Depois da atualização, o mesmo aparelho roda o jogo em velocidade cheia, segundo o vídeo.
“A gente está falando aqui de um ganho percentual que beira os 600%.”
K1RA, no vídeo que abre esta matéria, em tradução própria

A fala é uma estimativa do autor, feita com medição própria e não com benchmark publicado. A versão usada no teste é a europeia de Black, limitada a 25 ou 26 FPS por padrão; a americana trava em 30 FPS. As duas rodam em velocidade cheia no aparelho.
O canal também desaconselha destravar o frame rate no jogo. O recurso é um hack de velocidade, e não um patch de taxa de quadros: a animação desincroniza, alternando trechos acelerados e lentos.
A comparação com AetherSX2 e com o port nativo
O vídeo coloca o mesmo Black lado a lado em três caminhos: o hakuX com o núcleo novo, o AetherSX2 emulando a versão de PlayStation 2 e o port nativo compilado para Android. É a comparação que isola a camada de tradução de código, ponto central da mudança.
No Snapdragon 680, o AetherSX2 não passa de 15 FPS no jogo, com OpenGL ou Vulkan. Quem já usa um emulador de PS2 no celular, como o ARMSX2, conhece bem esse limite.
O port nativo continua mais leve que o emulador, porque não carrega a camada de tradução. A diferença é que a distância entre os dois encolheu nesta versão, e o hakuX agora resolve jogos que nunca ganharam versão para Android.
É o caso de Tony Hawk’s Pro Skater 4, que no PS2 emulado engasga e no hakuX roda em velocidade cheia. O canal testou também Forza Motorsport e dezenas de outros títulos, quase todos funcionando.
| Caminho | Aparelho | Resultado no vídeo |
|---|---|---|
| hakuX 1.x | Snapdragon 680 | Velocidade cheia em Black, Forza e Tony Hawk 4 |
| AetherSX2 (PS2) | Snapdragon 680 | Até 15 FPS em Black; Tony Hawk 4 com engasgos |
| Port nativo | Snapdragon 680 | Mais leve que o emulador, como esperado |
Um deles não abriu: Jet Set Radio carrega alguns segundos e fecha sozinho. O autor pretende gerar um log e enviar ao desenvolvedor.
Insignia, rede local e o que veio depois
A reformulação não parou na versão 1.0.0. Em 24 de outubro saiu a 1.1.0, com suporte experimental a GPUs Mali, Xclipse e PowerVR e uma camada para drivers Vulkan 1.1. As notas citam Burnout 3 e Mercenaries rodando bem em um Pixel 8, de Mali-G715.
| Versão | Data | Principal mudança |
|---|---|---|
| 1.0.0 | 23/10/2026 | Núcleo novo com FEX, kernel nativo e GPU em Vulkan |
| 1.1.0 | 24/10/2026 | Mali, Xclipse, PowerVR e Vulkan 1.1 |
| 1.2.0 | 26/10/2026 | System link por rede local e XLink Kai |
| 1.3.0 | 31/10/2026 | Xbox Live via Insignia e correções de jogos |
A 1.2.0, de 26 de outubro, trouxe system link: dois aparelhos na mesma rede Wi-Fi se encontram dentro do jogo como dois consoles. A 1.3.0, de 31 de outubro, ligou o emulador ao Insignia, serviço que mantém servidores substitutos do Xbox Live original.
A página do Insignia informa 36.226 usuários registrados e 216 jogos online. O teste do Android Authority, feito num Retroid Pocket G2, chega a resultado parecido: Halo 2 rodou a 30 FPS.
“Fiquei agradavelmente surpreso ao ver Halo 2 rodando em velocidade cheia (30 fps).”
Android Authority, em tradução própria
O veículo testou também Project Gotham Racing 2 no Anbernic RG 55G1, de chip bem mais modesto, e relatou desempenho jogável. Na mesma avaliação, Halo 2 exigiu driver Turnip, porque o do sistema mostrava falhas.
A polêmica do driver e a acusação de cópia
Um detalhe do vídeo rendeu discussão à parte. Em Snapdragon antigo, o hakuX só abriu jogos com drivers Adreno da linha 800, compilados para Snapdragon 8 Elite. O autor tentou vários drivers anteriores, recebeu todos com erros de extensão Vulkan e só resolveu com uma dica no Reddit de outro usuário.
Outra acusação circulou nas comunidades: a de que o desenvolvedor teria aproveitado código da recompilação estática de Black para escrever funções do emulador.
O canal diz ter procurado declaração do próprio rfandango sobre isso e não encontrou. Uma análise do código, feita por um colaborador do canal, também não apontou semelhança entre os dois projetos, que usam técnicas completamente diferentes.
A distância entre os dois é de arquitetura. Port nativo é recompilação estática: o código já sai traduzido para Arm antes de o jogo abrir, e a CPU só executa o que recebe. Emulador é recompilação dinâmica, com tradução durante o jogo e custo em cada quadro.
O que ainda falta saber
Não há medição pública de desempenho com metodologia aberta, apenas relatos de canais e veículos. O número de 600% é estimativa de quem testou.
Celulares com Snapdragon 400 ou 600 da mesma geração ainda carecem de teste publicado, e é aí que a promessa de compatibilidade ampla precisa ser conferida.
Também não existe data para suporte a jogos quebrados como Jet Set Radio. A fala sobre uma “nova onda de inteligência artificial” nos projetos de Android, que o canal repete no vídeo, é expectativa do autor e não tem anúncio de desenvolvedor por trás.
O hakuX é gratuito e o próprio projeto avisa que qualquer cobrança é golpe. Para quem tem celular modesto e quer testar emulação de console sem gastar, é uma das opções gratuitas do momento.
Quem já usa X1 BOX vai reconhecer a interface. Quem prefere port nativo tem opções como Burnout 3: Takedown e Halo: Combat Evolved, que dispensam o emulador.