Lojas de aplicativos de terceiros podem se candidatar ao Google para instalar apps com um toque, sem as telas de confirmação que o Android exige hoje, e atualizar esses apps em segundo plano.
O programa Registered App Stores passa a valer em 1º de dezembro, apenas em aparelhos com Android 17 QPR2 ou mais recente, e só nos países da lista oficial.
O Brasil está entre os países atendidos desde o primeiro dia. Os Estados Unidos ficaram de fora dessa modalidade e mantêm um programa separado para lojas de terceiros distribuídas dentro da Play Store, em vigor desde 22 de julho.
Hoje, quem instala apps fora da Play Store precisa liberar a loja nas configurações, autorizar cada instalação e confirmar cada atualização, uma por uma. No programa novo, a loja aprovada ganha essa permissão de forma automática.
As atualizações passam a rodar em segundo plano, seguindo a preferência que o usuário já definiu no aparelho, sem confirmação a cada pacote.
A loja que preferir ficar de fora continua operando como opera hoje. A adesão é opcional, e o Google diz que não vai bloquear nem restringir quem não entrar.
- Lojas registradas instalam com um toque e atualizam em segundo plano a partir de 1º de dezembro, em Android 17 QPR2 ou superior.
- O Brasil está na lista de países; os Estados Unidos não, e usam outro programa, ligado à Play Store.
- Entrar custa US$ 10 mil por ano, pagos antes de o Google começar a análise, e exige envio do catálogo inteiro para varredura.
- O consentimento do usuário continua obrigatório em cada instalação, e instalação silenciosa é proibida pelos termos.
O que a loja precisa cumprir
O primeiro filtro é de identidade. A loja precisa ser uma organização registrada no Android Developer Console, manter a verificação de desenvolvedor em dia e ser distribuída como APK nativo, o que exclui páginas web com instalador improvisado.
O catálogo completo, com cada app e cada versão nova, vai para o Google em varredura contínua de malware, e a taxa anual de US$ 10 mil vence antes do início da revisão, com documentos entregues em inglês.
O Google recomenda ainda que as lojas usem a Android Developer ID API, ferramenta que informa se cada app do catálogo vem de um desenvolvedor verificado, e que bloqueiem o que falhar no teste.
| Exigência | O que significa na prática |
|---|---|
| Organização verificada | Conta de empresa no Android Developer Console, não conta individual |
| Verificação de desenvolvedor | Identidade mantida ativa no programa de verificação do Google |
| Catálogo enviado | Todo app e toda versão nova passam por varredura de malware |
| Certificação MASA AL2 | Avaliação de segurança do App Defense Alliance, exigida a partir de junho de 2027 |
| Taxa anual | US$ 10 mil, pagos antes do início da revisão |
A conta não para na taxa. Se mais de 1% das tentativas de instalação ou mais de 2% dos apps do catálogo forem classificados como potencialmente nocivos num período de 30 dias, o Google cobra valores adicionais para triagem e limpeza do acervo.
A loja segue responsável e legalmente exposta por tudo o que distribui, e a moderação do conteúdo fica com ela, não com o Google. As regras pedem políticas de privacidade, de segurança e de propriedade intelectual, canal de denúncia de conteúdo ilegal, controle parental e suporte ao usuário.
As regras pedem ainda contrato direto com cada desenvolvedor. Documentação fora do padrão ou taxa atrasada tiram a loja do programa até a correção do problema apontado.
O que o usuário continua vendo
A permissão automática não virou licença para instalar sem avisar. Os requisitos dizem que a loja não pode instalar apps em silêncio sem o consentimento do usuário, e downloads grandes precisam rodar em serviço de primeiro plano.
Se a instalação começou em outro aparelho, a notificação no celular de destino não pode se fechar sozinha. Administradores de TI podem bloquear lojas registradas em aparelhos gerenciados, e a documentação não diz se o bloqueio alcança uma loja já instalada.
Para quem instala APK na mão, nada disso muda o fluxo atual. Ferramentas como o XAPK Installer e o SAI: Instalador APK & XAPK seguem sendo o caminho para pacotes baixados fora de qualquer loja.
Por que o Brasil entra e os EUA ficam de fora
A disponibilidade segue o país da conta do usuário, não o lugar onde o aparelho está no momento. Uma viagem curta a um país sem suporte não desliga a instalação em um toque nem as atualizações automáticas.
Quem muda de residência em definitivo e atualiza o endereço da conta passa a ver as opções do novo país. A lista de países atendidos reúne mais de 130 mercados, entre eles Brasil, Argentina, México, Portugal, Espanha, Índia, Indonésia e Reino Unido.
Os Estados Unidos não aparecem. Lá, a distribuição de lojas de terceiros acontece por outro arranjo, o Third-Party App Store on Play, que trata de lojas dentro do ecossistema da Play Store.
O programa nasceu em março, anunciado junto com mudanças que o Google disse resolver as disputas com a Epic Games.
E pagar a taxa anual, que não é o único custo: a análise do catálogo e a triagem de apps nocivos podem gerar cobrança extra.
O que ainda falta saber
O Android 17 QPR2, versão que habilita o recurso, é uma atualização trimestral da plataforma. A build mais recente saiu em 16 de outubro, ainda em beta, e as notas de versão não trazem data para a versão final.
Também não está descrito como o Google faz a varredura dos apps enviados, em quanto tempo um upload novo é checado ou o que acontece com o resultado da análise.
O que dá para afirmar com segurança: a partir de dezembro, quem tem Android 17 QPR2 no Brasil e usa uma loja registrada deixa de ver a tela de confirmação a cada app. Quem usa loja não registrada, ou aparelho antigo, continua no fluxo de hoje.
Instaladores avulsos seguem úteis para quem baixa pacotes direto do site do desenvolvedor, caso de utilitários como o APKMirror Installer. A loja que assumir o risco e a taxa passa a ter o mesmo atrito de uma Play Store na tela de instalação.
